Do Rio Negro às torneiras: conheça quem ajuda a abastecer Manaus há gerações

  • 23/10/2026
(Foto: Reprodução)
Equipe que atuou nas operações Estiagem Divulgação No dia em que Manaus completa 357 anos, o Rio Negro resiste às transformações da cidade. Entre o processo de captação do rio e a chegada da água às torneiras de mais de 2,2 milhões de pessoas, há um sistema que, hoje, tem nas mudanças climáticas o seu maior desafio. Essa história é contada por quem a constrói todos os dias, como é o caso de Simoney Santos, que atua como supervisor de Manutenção Eletromecânica na Águas de Manaus. Há dez anos no saneamento básico, ele chegou à concessionária como soldador, depois de uma experiência atuando na obra do estádio Mané Garrincha, em Brasília, e em indústrias. Simoney Santos Divulgação “Nunca tinha trabalhado com saneamento antes. Até então eu era só uma pessoa que bebia água, mas não sabia de onde ela vinha nem como era produzida”, lembra. A curiosidade de entender o caminho da água, da captação até a torneira, o fez ficar e crescer na empresa justamente no momento em que o sistema vivia seu maior teste. Em 2024, Manaus viveu a estiagem mais severa dos últimos 120 anos, e o Rio Negro chegou à cota de 12,11 metros. Para que a cidade passasse pelo período de vazante sem impactos no abastecimento, foi preciso desenvolver soluções até então inéditas, como o rebaixamento das bombas de captação de água. das 16 bombas verticais instaladas no rio, 13 foram rebaixadas em uma operação complexa, com mergulhadores e equipamentos específicos, em estruturas que em alguns casos datam da década de 1960. Esse projeto foi uma virada de chave para Simoney, que quis contribuir com a ação e acabou à frente dela. O trabalho, que durou aproximadamente cinco meses, envolveu um estudo técnico que constatou que a eficiência das bombas anfíbias usadas para drenar cidades alagadas durante a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul naquele ano poderia funcionar no sentido inverso em Manaus, com a captação de água de um rio em processo de vazante. Operação Estiagem Divulgação “Essa solução nasceu para a estiagem, mas foi incorporada definitivamente ao nosso sistema. Foi um projeto que deu tão certo que acabou dando suprimento a outras áreas que passaram por situações emergenciais”, resume, acrescentando que o trabalho também serviu de modelo para o que foi desenvolvido na estiagem deste ano, quando a concessionária adquiriu mais duas bombas anfíbias para reforçar a captação na Ponta das Lajes, que abastece a zona Leste e parte da zona Norte. A estrutura chamou a atenção até do fabricante, e equipes de outras concessionárias visitam a planta para conhecer o projeto. “Para as pessoas de fora, foi um trabalho inovador, com a estrutura robusta de abastecimento que precisou ser toda adaptada nesse cenário extremo. Temos muita troca de experiência com outras empresas que querem entender como esse trabalho foi feito”, conta Simoney, que também teve na operação um novo passo em sua vida profissional. “Comecei a ver o projeto não só como uma forma de executar um serviço de solda, mas também de descobrir até onde eu poderia chegar profissionalmente, e isso ajudando a salvar Manaus de alguma forma”, afirma. Operação Estiagem Divulgação A estiagem de 2024 representa um dos desafios mais recentes do abastecimento de Manaus. Mas, para entender o quanto o sistema precisou mudar ao longo do tempo, é necessário olhar para um passado ainda mais distante. Há 50 anos no saneamento da capital, o engenheiro Djalma Sobrinho acompanhou de perto a transformação das estruturas e o aumento da capacidade de captação de água. Estação de Tratamento de água Ponta do Ismael Divulgação Ele conta que a estação da Ponta do Ismael foi projetada para uma vazão de 1,8 metro cúbico por segundo. “A PDI trabalha em torno de 5 a 6 metros cúbicos por segundo. No início do século passado, a captação era feita por gravidade e dependia de o rio estar alto. Hoje precisa de estruturas flutuantes e planejamento, porque o rio baixa mais do que antes”, aponta. Djalma lembra que a lógica sempre foi corrigir a água do rio antes de tratá-la. “A água do Rio Negro tem muita matéria orgânica e suspensão, além do pH muito baixo. Para ter uma reação, a gente tem que aumentar o pH”, explica. Estação de Tratamento de água Ponta do Ismael Divulgação Entre tantas mudanças, restam marcas de quem começou tudo isso. Na Ponta do Ismael, uma placa de 1909 ainda registra a Manaós Improvements, a empresa inglesa que implantou o primeiro sistema moderno de abastecimento da cidade. O projetista Anderson Oliveira, que atua no saneamento de Manaus desde 1996, completa esse relato. “A gente ainda tinha as caldeiras, algumas bombas do tipo dos ingleses, mas rapidinho elas foram substituídas. Essas estruturas de ferro continuam firmes”, diz. Anderson Oliveira e Djalma Sobrinho Divulgação Desde 2018, a Águas de Manaus promove uma transformação no saneamento da capital amazonense. Em oito anos, a cidade chegou à universalização do abastecimento de água, com mais de 2 milhões de pessoas alcançadas. Agora, esse processo se repete com o sistema de esgotamento sanitário, que atende a 42% da população e, em menos de 10 anos, também estará universalizado. Essa mudança é construída com apoio em ações que deram certo no passado e com o olhar para iniciativas inovadoras, que possibilitam a chegada do sistema completo de saneamento a áreas vulneráveis. Água tratada Divulgação

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/especial-publicitario/aguas-de-manaus/aguas-de-manaus/noticia/2026/10/23/do-rio-negro-as-torneiras-conheca-quem-ajuda-a-abastecer-manaus-ha-geracoes.ghtml


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